sábado, 7 de agosto de 2010

Literatura...



Humanismo

Início: 1434 - Fernão Lopes é nomeado cronista-mor do Reino.

Término: 1527 - Francisco de Sá de Miranda inicia o Renascimento em Portugal.

Aspectos históricos

Época conturbada da história portuguesa.

1) Implantação da dinastia de Avis (1383-1385) - revolução popular derruba a dinastia de Borgonha, e assume o novo rei, D. João I, da ordem de Avis. Fim da vassalagem dos reis de Portugal ao rei de Castela.

2) Fim das guerras da independência: consolidação da independência.

3) Desenvolvimento do comércio sobretudo do comércio marítimo.

4) Formação do império colonial português: conquistas na África e a descoberta do Brasil.

No plano da cultura e da literatura

1) A língua portuguesa firma-se como língua independente. Lembre-se de que nos séculos anteriores falava-se o galego-português.

2) A língua literária escrita desenvolve-se, diferenciando-se da língua falada.

3) A prosa floresce, enquanto a poesia entra em declínio.

4) A corte torna-se o principal centro de produção cultural e literária graças ao fortalecimento da casa real.

5) Declínio das características medievais e prenúncio do Renascimento. Abandono progressivo da mentalidade teocêntrica.

Características do Humanismo

1) Florescimento da prosa; declínio da poesia.

b) Manifestações literárias:

  • Poesia palaciana
  • Prosa doutrinária
  • Historiografia
  • Teatro de Gil Vicente

Poesia Palaciana

1) Cancioneiro Geral, de Garcia Resende, 1516.

2) Ligada à vida social da corte.

3) Transição entre a tradição medieval e a tradição moderna.

4) Autonomia em relação à música:

  • métrica
  • declamadas em salões
  • surgem os livros, com a invenção da imprensa
  • os autores se chamam poeta, não são mais trovadores¨
  • lírica (contradições do amor - influência de Petrarca, poeta italiano)


Teatro de Gil Vicente

Mentalidade medieval - ambientado no início da Era Moderna, mas ainda reflete o pensamento medieval.

Características:

1) teatro alegórico - as barcas são alegorias da morte;

2) teatro de tipos - classe social, profissão, sexo, idade. Exemplos do Auto da Barca do Inferno:

  • Fidalgo
  • Onzeneiro
  • Parvo
  • Procurador/ Corregedor
3) Teatros de quadros: sucessão de cenas, chegando a um ponto culminante e desfecho.

4) Rupturas da linearidade do tempo e despreocupação com a verossimilhança: na farsa O Velho da Horta - pela manhã a mocinha procura o velho para comprar os temperos, no final do diálogo, o criado vem avisar-lhe que já é noite.

5) Teatro cômico e satírico. A maioria das peças são comédias de costumes, seguindo o lema latino: “Pelo riso corrigem-se os costumes”. Personagens caricaturais. Sua linguagem faz cócegas na platéia.

Gil Vicente

Com uma biografia das mais controvertidas, poucos fatos são tidos como certos na vida de Gil Vicente. Nascido por volta de 1465. Aproveitou-se do prestígio que a função de organizador das festas da corte lhe conferia para, em 1502, encenar sua primeira peça, o Monólogo do vaqueiro ou Auto da visitação, na câmara da rainha D. Maria, em comemoração ao nascimento de D. João III. Durante trinta e quatro anos Gil Vicente fez representar dezenas de peças. Em 1562, seu filho, Luís Vicente, publicou a Compilagem de todalas obras de Gil Vicente.

Características do teatro vicentino

Escrita em 1517, Auto da Barca do Inferno é das obras mais representativas do teatro vicentino. Como em tantass outras peças, nesta o autor aproveita a temática religiosa como pretexto para a crítica de costumes. Num braço de mar estão ancoradas duas barcas. A primeira, capitaneada pelo diabo, faz a travessia para o inferno; a segunda, chefiada por um anjo, vai paa o céu. Uma a uma vão chegando as almas dos mortos - um fidalgo, um onzeneiro (agiota), um parvo (bobo), um sapateiro, um frade, levando sua amante, uma alcoviteira, um judeu, um corregedor (juiz), um procurador (advogado do Estado), um enforcado e quatro Cavaleiros de Cristo (cruzados) que morreram em poder dos mouros. Todos tentam evitar a barca do diabo. Mas apenas o parvo e os cruzados conseguem embarcar para o céu.

Ambientado no início da Era Moderna, o teatro vicentino ainda reflete o pensamento medival por sua moral religiosa e sua concepção teocêntrica do mundo.

No Auto da Barca do Inferno, por exemplo, ao ver-se recusado pelo anjo, o fidalgo assim se lamenta por ser dissipado sua vida sem acreditar no castigo do inferno.

Ao inferno todavia!

Inferno há aí para mim?!

Ó triste! Enquanto vivi

nunca cri que o aí havia.

Tive que era fantasia

folgava ser adorado;

confiei em meu estado

e não vi que me perdia.

2. Teatro popular

Apesar dos elementos ideológicos inovadores que suas sátiras sociais contêm, Gil Vicente não se deixou influenciar pelas novidades estéticas introduzidas pelo Renascimento. Sua obra é a síntese das tradições medievais e populares.

“... o seu teatro não pode ser jamais entendido se analisado e concebido segundo os padrões de uam estética que não seja a estética do teatro popular”. (Segismundo Spina)”

Vale então fazer uma breve análise da obra de Gil Vicente à luz da estética do teatro popular medieval.

Teatro alegórico: rperesenação de idéias abstratas com personagens, situações e coisas concretas. O Auto da Barca do Inferno, por exemplo, é uma peça alegórica. O cais e as barcas são a alegoria da morte; a barca do inferno é alegoria da condenação da alma; a barca do céu, a da salvação.

Teatro de tipos: as personagens de Gil Vicente são sempre típicas, isto é, não são indíduos singulares nem possuem traços psicológicos complexos; pelo contrário, apenas reúnem os caracteres mais marcantes de sua classe social, de sua profissão, de seu sexo, de sua idade.

Teatro de quadros: em geral, as peças de Gil Vicente desenvolvem-se por uma sucessão de cenas relativamente independentes, sem formar propriamente um enredo, uma história que, depois de apresentada, se complica até um ponto culminante e um desfecho.

No Auto da Barca do Inferno temos uma introdução em que aparecem o diabo e seu companheiro preparando a barca e anunciando a vigem; com a chegada do fidalgo, inicia-se o primeiro quadro, e os outros se sucedem sempre com a mesma estrutura: chegada da personagem, diálogo com o diabo, tentativa de embarque para o céu e, se a personagem é recusada pelo anjo, retorno à busca do inferno.

Rupturas da linearidade do tempo e despreocupação com a verossimilhança: mesmo nas peças que possuem um enredo, a sucessão cronológica dos acontecimentos é freqüentemente inverossímil ou mesmo absurda.

Na fasra O velho e a horta, um velho hortelão apaixona-se por uma mocinha, pela manhã, o procura para comprar temperos. Ao final do primeiro diálogo, um criado vem avisar-lhe que já é noite e que sua mulher o espera para jantar. Malsucedido em seus galanteios, o velho apaixonado contrata os serviços de uma alcoviteira, que lhe arranca dinheiro para comprar presentes e empreender a conquista. Numa de suas visitas, a alcoviteira é presa e açoitada. Desconsolado, o velho recebe a notícia do casmento da lmoça por quem se apaixonara. tudo isso aconece numa sucessão ininterrupta, marcada apenas pela entrada e saída de personagens, e a única marcação de tempo, como se viu, é inverossímil.

Teatro cômico e satírico: as peças de Gil Vicente, em sua maioria, são comédias de costumes, seguindo o lema latino ridendo castigat mores (pelo riso corrigem-se os costumes). O dramaturgo lança mão de inúmeros recursos eficientes para provocar o riso: personagens caricaturais; situações absurdas; desencontros imprevistos e ridículos. Mas é sobretudo o poder de sua linguagem que faz cócegas na platéia.

Observe o recurso à linguagem popular nos xingamentos do povo ao diabo (Auto da Barca do Inferno).

Hiu! Hiu! Barca do cornudo,

Pero Vinagre beiçudo

(............................................)

Sapateiro da Candosa!

Entrecosto de carrapato!

Hiu! Hiu! Caga no sapato,

filho da grande aleivosa!

Tua mulher é tinhosa

e há de parir um sapo

chentado (=pregfado) no guardanapo!

Neto da cagaminhosa!

Furta-cebolas! Hiu! Hiu!

‘scomungado nas igrejas!

Burrela, cornudo sejas!

Principais obras de Gil Vicente

Auto da visitação (ou Monólogo do vaqueiro - 1502).

Auto pastoril castelhano (1509)

Aujto da Índia (1509)

O velho da horta (1512)

Quem tem farelos? (1515)

Trilogia das Barcas:

* Auto da Barca do Inferno (1517)

* Auto da Barca do Purgatório (1518)

* Auto da Barca da Glória (1519)

Farsa de Inês Pereira (1524)

Auto da feira (1526)

O juiz da Beiras (1526?)

Farsa dos almocreves (1527?)

O clérigo da Beira (1529)

Auto da Lusitânia (1532)

Romagem dos agravados (1533)

Floresta de enganos (1536)

Essa pesquisa retirei do site : http://www.portrasdasletras.com.br

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